Publicado por: olavodenecial em: dezembro 9, 2008
” 1968, O Ano que não terminou” (Nova Fronteira, 1988, 305 páginas) destaca os acontececimentos ocorridos em 1968 pelo fim da ditura que governava o Brasil. Artistas, intelectuais, alguns políticos, a igreja e estudantes estavam todos unidos pelo mesmo objetivo.
Nos primeiros capítulos, o autor narra uma festa no começo do ano na casa do Historiador Sérgio Buarque de Holanda e da sua mulher a socióloga, Heloísa Buarque de Holanda, que reuniu várias personalidades da sociedade carioca participantes dos fatos narrados no livro. Uma festa em que aconteceu de tudo um pouco, da traição entre maridos e esposas, a porres homéricos. Um acontecimento que, no outro dia, foi o tema de comentários dos frequentadores da Praia de Ipanema.
O livro aborda o comportamento dos jovens, dos artistas e dos intelectuais com relação às bebidas e experiências com as drogas, principalmente a maconha. A partir do terceiro capítulo, o autor começa a contar o envolvimento dos estudantes na luta para derrubar a ditadura. Personagens como César Queirós Benjamin, o Cesinha, Vladimir Palmeira, Franklin Martins, surgem como líderes de uma geração lutadora, idealista e sonhadora.
A morte do estudante Edson Luís Souto por policiais no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, foi o estopim para aquela que seria considerada a maior manifestação organizada por estudantes: a Passeata dos 100 mil. Fato que contou com a participação de artistas, intelectuais, políticos e dos moradores da cidade do Rio de Janeiro. No final do evento foram escolhidos representantes para uma audiência com o Presidente do Brasil, Costa e Silva. Durante esse encontro, o presidente sentiu-se ofendido pels estudantes e começou na sua cabeça a idéia em decretar uma norma que iria mudar o rumo da história do Brasil: o AI-5.
O discurso do deputado Márcio Moreira Alves, na Câmara dos Deputados, e o XXX Congresso da UNE, realizado em Ibiúma, cidade paulista, ajudaram aos militares a exigir uma posição do presidente da República com relação às manifestações contra o seu governo e contra as Forças Armadas. Em 13 de outubro de 1968, o presidente decreta aquele que seria o documento a vigorar em um dos períodos mais negros da nossa história: o Ato Inconstitucional N° 5. A partir desse dia, artistas foram censurados, não existiu mais a liberdade de expressão, políticos foram cassados e exilados, sindicatos fechados, grêmios estudantils foram proibidos de serem fundados, estudantes e qualquer partido que não fossem em favor do governo foram considerados comunistas. Esse período duraria 10 anos.
O leitor irá se deliciar quanto o autor narra o Festival Internacional da canção, no Rio de Janeiro, onde o público torcia para que a música vencedora fosse a do compositor Geraldo Vandré, ” Para não dizer que não falei das flores”, e não a composição feita por dois gênios da MPB, Chico Buarque e Tom Jobim, com a canção “Sabiá”, interpretada pelo grupo Quarteto em Cy. Quando o resultado foi anunciado ouviu-se uma grande vaia no Ginásio do Maracanãzinho.
“1968, O ano que não terminou” é um livro para ser lido por pessoas que querem conhecer as barbaridades cometidas pela repressão nos chamados anos de chumbo. São 305 páginas que levam o leitor a viajar no tempo.Caso você tenha menos de 20 anos, é uma boa oportunidade para conhecer a nossa história política.Se tiver mais de 30 anos, é uma boa opção para relembrar fatos históricos. Vale lembrar que vários dos personagens hoje se destacam na política brasileira, como por exeplo: Franklin Martins, Fernando Gabeira, José Dirceu, Vladimir Palmeira, etc,