Publicado por: olavodenecial em: dezembro 9, 2008
É impressionante como as pessoas conseguem por conta da mídia, mobilizar e prender a atenção das pessoas. Orson Welles e Stephen Glass conseguiram isso de formas diferentes.
Welles tinha 23 anos e trabalhava na CBS, rádio americana da cidade de Nova Jersey. Em 1938 , resolveu durante a transmissão do seu programa reproduzir uma novela do escritor inglês H.G. Wells que narrava uma invasão de marcianos ao nosso planeta. Welles era locutor e líder de um grupo de teatro, chamado Mercury no Ar. Os atores ajudaram na transmissão.
A programação da rádio foi interrompida para divulgar a queda de um meteoro no Planeta Terra. Depois, com a voz de um repórter – Carl Philips – informa que não era um meteoro, mas um imenso cilindro de onde saíram os extraterrestres.
Para ajudar o suposto repórter, um cientista foi chamado para passar as informações sobre as características dos marcianos.
Essa travessura de Welles conseguiu, segundo relato da época, atingir 6 milhoes de pessoas. Mas “apenas” 1,2 milhões acreditaram na história e foi instaurado um caos total na cidade.
A transmissão durou uma hora e Welles e Welles disse que tudo se tratava de uma ficção. Ele depois desse acontecimento virou celebridade no Estados Unidos e um diretor de cinema conhecido mundialmente.

Welles durante transmissão no estúdio da Rádio CBS - 1938
Stephen Glass, o outro gênio, usou a sua inteligência para manipular, enganar as pessoas. Ele era considerado um menino prodígio da imprensa americana. Escrevia para a The New Repulic, única revista lida no Air Force 1, o avião que serve a Presidência Americana.
Uma pessoa inteligente, carismática e divertida, mas ao mesmo temp manipuladora, egoísta e com problemas emocionais.
Seu talento foi colocado em dúvida e descberto que se tratava de uma farsa ao escrever artigos onde alguns fatos ficaram sem resposta.
Em seu artigo sobre uma convenção de jovens do Partido Republicano americano, ele escreveu que houve consumo de bebidas e drogas. O dirigente do partido não gostou e fez uma ligação telefônica ao editor da revista, Michael Kelly, informando que o local da convenção, um hotel, no quarto não havia frigobar. Michael chamou Glass que confirmou a versão do dirigente, mas disse os jovens alugaram o eletrodoméstico. O editor ligou para a recepção do hotel e foi informado que os hóspedes podem alugar um frigobar. Kelly ao receber a confirmação deu o caso por encerrado e acreditou na versão do seu jornalista.

Sua carreira de jornalista podia ter sido brilhante.
Stephen escreveu outro artigo relatando uma negociação entre um “hacker” e um empresa que teve o site invadido por ele. E ao invés de processá-lo, o contratou para ser consultor de segurança contra invasores de sites.
Ao ler o artigo, um editor de um jornal digital, questionou seu melhor jornalista, Adam Penemberg, porque ele não fez a matéria. Adam checou as fontes, viu que eram falsas e descobriu que Glass tinha mentido.
O editor da The New Repulic, Chuck Lane, cobrou explicações ao seu jornalista. Ao verificar que as fontes eram realmente falsas, decidiu demitir Stephen. Chuck também analisou todos os artigos escritos por Glass e descobriu que dos 41 textos escritos por ele, 21 foram forjados.
A demissão do jornalista foi parar no tribunal, na audiência Glass confirmou seu erro e teve sua carreira destruída.
Sthephen Glass foi o exemplo de como não se deve fazer um jornalismo sério e ético.