Olavo Denecial

Novo sim, mas com grandes conquistas
Do Defelê ao Brasiliense a epopéia dos campeões de Brasília

Em meio a tijolos e poeira era iniciada a história do futebol de Brasília, protagonizada pelos operários das empreiteiras que levariam adiante a visão de Dom Bosco e o sonho de Juscelino Kubtcheck, a construção da nova capital. Nos campos de terra batida começava uma história paralela à da construção: o Campeonato Candango que, em 1959, já possuía o seu primeiro campeão, o Grêmio da Cidade Livre, atual Núcleo Bandeirante. Alguns dos primeiros times do Distrito Federal representavam as construtoras da época e inclusive, seus nomes, como o time da Rabelo.

O principal rival do Rabelo era o Defelê, patrocinado pelo antigo Departamento de Força e Luz, atual Companhia Energética de Brasília (CEB). Alaor Capela, jogador do Rabelo, veio a Brasília para trabalhar, mas sua paixão pelo futebol mudou seus planos e destino. No primeiro treino pelo Rabelo, mostrou seu incrível talento para fazer gols- marcou sete- deixando técnico, diretores e companheiros de time animados para sua estréia no campeonato.
O primeiro jogo foi o clássico contra o Defelê, time onde atuava seu irmão. O placar final foi de 2×1, sendo que Alaor foi o responsável pela vitória. Após a partida, recebeu convite para jogar no rival. “Os diretores conversaram comigo e me ofereceram um emprego com um salário melhor, então, mudei de time e fui tricampeão pelo Defelê”. Apesar do pouco tempo em que atuou no Rabelo, seu nome ficou marcado na história do time pelo seu talento e dedicação.

Time do Defelê
defele

Nesse período, o campeonato era disputado por 13 equipes, não havia organização e faltava estrutura aos times que atuavam na capital. Ao longo dos jogos e disputas, muitas delas foram desaparecendo. À medida que as construtoras concluíam as obras, os jogadores-operários migravam para outras regiões do país para dar continuidade aos projetos das empresas. Houve tentativas de profissionalização quando foram organizados, simultaneamente, campeonatos profissionais e amadores entre 1964 e 1966, mas a iniciativa não vingou e o futebol em Brasília voltou a ser amador. Essa situação perdurou até 1976, quando o futebol candango se profissionalizou de vez.

Arena vai mal, time no Nacional

A Aliança Renovadora Nacional (Arena) era o partido político que apoiava o Estado durante o período da ditadura militar. Devido ao turbulento período vivenciado pela política brasileira, o futebol era usado como atração nos lugares onde a população possuía antipatia pelo governo. Os adversários da oposição aproveitaram para criar o slogan: “A Arena está mal, põe time no Nacional”.
Brasília era uma das poucas unidades da Federação que não tinha time disputando o campeonato brasileiro. O jornalista esportivo Gustavo Mariani, um dos pioneiros na cobertura futebolística candanga, relembra o episódio envolvendo o então presidente da República o General Ernesto Geisel. “O João Havelange, presidente da Confederação Brasileira de Desporto (CBD), veio almoçar com o Geisel e disse que se em Brasília existisse um estádio para 40 mil pessoas, poderia ter um time no campeonato nacional”. A ordem foi acatada e o estádio construído, em plena ditadura militar.
A realidade dos moradores de Brasília mudou naquele instante, pois o inimaginável havia acontecido. Os jogadores, que antes apareciam somente na televisão, poderiam ser vistos e aplaudidos ao vivo pela população. O time convidado para representar a cidade foi o Ceub, que carregava a marca de uma faculdade brasiliense.
Os diretores do Ceub contrataram jogadores conhecidos, como Fio Maravilha, ex-jogador do Flamengo; Claúdio Garcia, ex-jogador do Fluminense; Oldair, campeão brasileiro pelo Atlético Mineiro. Juntos com os demais jogadores que se encontravam na cidade, aprontaram surpresas para os tradicionais times do futebol brasileiro, como o Cruzeiro e o Corinthinas, ambos vencidos em Brasília. O Ceub participou durante três anos do campeonato brasileiro.

ceub

Time Ceub
No meio da década de 70, o Ceub era considerado o melhor time da época. Sua sede e torcida eram formadas basicamente por moradores do Plano Piloto. Em 1975, a Associação dos Clubes dos Diretores Lojistas do DF resolveu fundar o Brasília Esporte Clube para dividir a paixão dos torcedores, entretanto, a rivalidade durou menos de um ano. Um desentendimento nesse mesmo ano entre o Ceub e a Federação desencadeou o fim do clube.
O Campeonato Brasiliense possuía três fases e o Ceub já tinha faturado as duas primeiras e liderava o terceiro e último turno. No entanto, a Federação resolveu mudar a fórmula da disputa, obrigando o Ceub a disputar o quadrangular final. Em protesto, a mesa diretoria do time resolve encerrar as atividades.

Brasília, o primeiro papa títulos da capital

Com o encerramento das atividades pelo Ceub, o Brasília reinou soberano no Campeonato Candango e venceu três campeonatos seguidos, 1976/1977/1978. Os dois primeiros títulos foram vencidos com folga, mas, em 1978, um time da Cidade Satélite de Taguatinga surgiu para tentar desbancar o poderoso Brasília.
Originado a partir da fusão entre os times amadores, o Taguatinga Esporte Clube conseguiu dar um calor no bicampeão da cidade. Apresentou aos torcedores um jogador com nome de fruta, detentor de futebol de craque e que se transformaria em ídolo local: Ernane Banana.
Banana, como até hoje é conhecido, atualmente é empresário, mas o futebol ainda está presente em sua vida, vivo em recordações. Ele relembra com saudade o tempo em que atuou pelo Pioneira equipe que, mais tarde, se transformaria no Taguatinga. O time disputou o Torneio Imprensa e foi vice-campeão. No ano seguinte, o talentoso jogador foi emprestado ao Vasco da Gama, ficando por lá nove meses. Mas, devido ao elevado valor do passe pedido pela equipe candanga, retornou à capital e foi jogar no Brasília, onde foi tricampeão.
A hegemonia do Brasília só foi interrompida quando os empresários da cidade satélite do Gama resolveram injetar recursos no time da cidade. Contrataram jogadores de outros Estados, entre eles o artilheiro “Fantato” e o técnico de renome nacional Martin Francisco, que treinou durante muito tempo o Vasco da Gama. O time do Gama foi campeão invicto.
O campeonato candango começa a despertar o interesse do público e dos empresários locais. Observando o sucesso do Brasília e o surgimento do Gama, as empresas e Administrações Regionais resolveram investir em patrocínio. Como o Brasília possuía melhor estrutura que a dos seus adversários, terminou a década de 80 como o time que obteve mais conquistas no Campeonato Candango, ao todo, cinco. Posteriores a ele vieram o Sobradinho e Taguatinga, com duas conquistas, e o Tiradentes, da Polícia Militar de Brasília, com uma conquista- nenhum jogador do Tiradentes pertencia à corporação militar.

Década de 90: o Gama faz história no cenário nacional

O Brasília entra em decadência técnica e financeira nos anos 90 e, com isso, abre espaço para o seu maior adversário, o Gama. Para surpresa e felicidade dos seus torcedores, marcou nome no cenário nacional conquistando para Brasília o título inédito do o campeonato brasileiro da segunda divisão em 1998, fato jamais alcançado por times da região Centro-Oeste.
Vendo o crescimento notório do futebol de Brasília, surgiram dois novos times para fazer história no futebol local. O CFZ, cujo dono é o ex-jogador Zico, foi campeão 2002 do Campeonato Brasiliense. E um repentino escândalo político mudou a história do futebol no Distrito Federal.
A cassação do mandato do senador Luís Estevão por suposto envolvimento em irregularidades na construção do prédio do Tribunal Regional de São Paulo, fez com que ele passasse a dedicar seu tempo ao futebol. Em 02 de agosto de 2002 era criado o Brasiliense, time que depois ficaria conhecido como o Jacaré.
Contraponto a tendência do início de 2000, o Gama não continuou a liderar isolado o futebol local. Com a criação do CFZ e do Brasiliense, sua hegemonia é abalada. O CFZ marcou vitória em 2002 e depois o Brasiliense foi campeão seis vezes consecutivas. A rivalidade entre Gama e Brasiliense vem crescendo a cada competição e tudo indicada uma acirrada disputa para o próximo campeonato.
Com a conquista da segunda divisão brasileira em 1998 pelo Gama, o Brasiliense planeja uma conquista semelhante ou superior a do seu arquiinimigo. Em 2002, colocou seu nome no cenário nacional, vencendo a terceira divisão do Campeonato Brasileiro e sendo vice-campeão da Copa do Brasil, um feito inédito para um time que tinha apenas dois anos de existência. Em 2004, vence a segunda divisão do Campeonato Brasileiro e mostra que Brasília tinha qualidade e potencial de crescimento.

Desafios para o futuro
O desafio da Federação é fazer um campeonato rentável, com maior participação do público, meta que só será alcançada quando houver mudanças na estrutura dos clubes e investimentos em segurança e conforto dentro e fora dos estádios. Para Ernane Banana, ainda falta incentivo de órgãos privados no campeonato brasiliense. “Hoje é tudo mais difícil, falta apóio das empresas, do governo” disse.
O campeonato brasiliense de 2009 foi disputado por oito times em três fases. Na primeira, as equipes jogaram entre si, com jogos de ida e volta, sendo que os quatros colocados se classificaram para a segunda fase, novamente em jogos de ida e volta. Os times que disputaram os jogos finais foram os tradicionais adversários Brasiliense e Gama.

Copa de investimentos
Após a confirmação da copa de 2014 no Brasil, os times brasilienses passaram a viver na expectativa de investimentos em infra-estrutura nos estádios do DF. Alguns deles serão restaurados ao longo dos próximos cinco anos para se adequarem às normas divulgadas pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), como por exemplo, o Mané Garrincha, estimando uma reforma para receber até 100 mil torcedores. No final de 2008, o jogo da seleção brasileira de futebol contra a seleção portuguesa reabriu o estádio Bezerrão, que passou por uma maratona de reformas para atender as regras pré-estabelecidas.
O local foi vistoriado e aprovado pelos representantes da FIFA e Brasília foi escolhida para ser uma das sedes da Copa e, com isso, a cidade entrou na briga com São Paulo e Belo Horizonte para decidir em qual capital receberá o jogo inaugural. No DF, o estádio mais cotado é o Mané Garrincha. Para o vice-presidente da FBF, Brasília possui grandes chances de sediar o primeiro jogo. “São Paulo está na disputa, mas sempre a capital do País organizador é favorita na disputa. Tem que demonstrar capacidade e organização”, disse. “O futebol de Brasília está em ascensão e a tendência é progredir cada vez mais”, conclui Paulo.

bezerrão reformado
Estádio Bezerrão Reformado

Ano Campeão Vice-Campeão
1959 Grêmio Brasiliense Planalto
1960 Defelê Guará
1961 Defelê Rabello
1962 Defelê Colombo
1963 Cruzeiro do Sul Rabello
1964 Guanabara Dínamo
1965 Pederneiras Guanabara
1966 Rabello Luziânia-GO
1967 Rabello Cruzeiro do Sul
1968 Defelê Rabello
1969 Coenge Grêmio Brasiliense
1970 Grêmio Brasiliense Civilsan
1971 Colombo Serviço Gráfico
1972 Serviço Gráfico CEUB
1973 CEUB Relações Exteriores
1974 Pioneira Jaguar
1975 Campineira C.S.U
1976 Brasília Guará
1977 Brasília Desportiva Bandeirante
1978 Brasília Taguatinga
1979 Gama Brasília
1980 Brasília Gama
1981 Taguatinga Guará
1982 Brasília Guará
1983 Brasília Guará
1984 Brasília Sobradinho
1985 Sobradinho Taguatinga
1986 Sobradinho Taguatinga
1987 Brasília Taguatinga
1988 Tiradentes Guará
1989 Taguatinga Sobradinho
1990 Gama Taguatinga
1991 Taguatinga Guará
1992 Taguatinga Tiradentes
1993 Taguatinga Gama
1994 Gama Sobradinho
1995 Gama Brasília
1996 Guará Gama
1997 Gama Brasília
1998 Gama Guará
1999 Gama Dom Pedro II
2000 Gama Bandeirante
2001 Gama Brasiliense
2002 CFZ Gama
2003 Brasiliense Brasiliense
2004 Brasiliense CFZ
2005 Brasiliense Ceilândia
2006 Brasiliense Gama
2007 Brasiliense Esportivo
2008 Brasiliense Dom Pedro II
2009 Brasiliense Brasília

Olavo Denecial, Soraya Lustosa e Lúria Rezende

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Resenha – A Jornada do Escritor – Christopher Vogler

O livro, “A Jornada do Escritor”, escrito por Christopher Vogler, editado pela Editora Nova Fronteira, com tradução da escritora Ana Maria Machado, mostra como se conta uma história usando um método simples e eficaz. Não pense o leitor que irá descobrir a fórmula da invenção da roda ou que ganhará um Oscar. Mas ele terá uma base para fazer um filme envolvente e saberá como prender a atenção do espectador.

No começo o livro é um pouco monótono, cansativo. Para chamar a atenção do leitor o autor divide o livro em três etapas.

Na introdução Christopher Vogler informa às formas que devem ser usados os elementos estruturais se construir os personagens e como a história deve ser contada.

Na primeira etapa ele começa mapeando a jornada, isto é, como devem ser primeiros passos a tomar para a saga do herói. Divide a história em três atos que o escritor deve seguir para contar a saga do herói, que começa no seu mundo comum e só retorna com o elixir, o prêmio alcançado, seu objetivo.

De acordo com a opinião do autor, o herói deve seguir um caminho, um chamado para a aventura, sempre encontrará um mentor, amigos, adversários. Depois dessas fases, atingirá o seu objetivo e voltará com a recompensa, geralmente um amor ou um objeto de desejo.

O autor escreve linha a seguir para as características dos personagens, mostrando que todos eles possuem variações de comportamento, serão frágeis ou fortes, felizes ou tristes, extrovertidos ou tímidos, etc. tudo dependendo do momento. Informa que o herói sempre terá um mentor quem pedirá ajuda, um adversário que na verdade queria ocupar o seu lugar, amigos que morrerão por ele e amigos que o seguirão até atingir o seu objetivo.

Na segunda etapa o leitor mais atento verá as orientações que o herói receberá quando for chamada para a aventura, a mudança que sofrerá, as tentações, os desafios, os encontros com seus mentores , seus conflitos, os perigos, a recompensa, seu retorno e o objetivo conquistado.

Uma das grandes dicas do livro é a possibilidade de mudança dos personagens, de acordo com o que precisar fazer o escritor. Um herói pode ser vilão, mentor, aliado, tudo ao mesmo tempo sem abandonar o seu destino traçado desde o início da aventura. Também mostra que o Sombra, apesar de ser escrito para ser mau, sendo bem feito, pode cair na graças dos espectadores.

No epílogo Vogler mostra que nos filmes Titanic, O Rei Leão, Pulp Fiction e Guerras nas Estrelas, situações descritas nos livros e orientações que os executivos receberam dele para realizar essas histórias.

Jornada do Escritor é um livro que deve ser lido por aqueles que escolheram a profissão de contador de história, pois tanto na elaboração de um roteiro de um filme ou na execução de uma reportagem existem etapas que devem ser cumpridas para o sucesso final do trabalho.

” 1968,  O Ano que não terminou” (Nova Fronteira, 1988, 305 páginas) destaca os acontececimentos ocorridos em 1968 pelo fim da ditura que governava o Brasil. Artistas, intelectuais, alguns políticos, a igreja e estudantes estavam todos unidos pelo mesmo objetivo.

Nos primeiros capítulos, o autor narra uma festa no começo do ano na casa do Historiador Sérgio Buarque de Holanda e da sua mulher a socióloga, Heloísa Buarque de Holanda, que reuniu várias personalidades da sociedade carioca participantes dos fatos narrados no livro. Uma festa  em que aconteceu de tudo um pouco, da traição entre maridos e esposas, a porres homéricos. Um acontecimento que, no outro dia, foi o tema de comentários dos frequentadores da Praia de Ipanema.

O livro aborda o comportamento dos jovens, dos artistas e dos intelectuais com relação às bebidas e experiências com  as drogas, principalmente a maconha.  A partir do terceiro capítulo, o autor começa a contar o envolvimento dos estudantes na luta para derrubar a ditadura. Personagens como César Queirós Benjamin, o Cesinha, Vladimir Palmeira, Franklin Martins, surgem como líderes de uma geração lutadora, idealista e sonhadora.

A morte do estudante Edson Luís Souto por policiais no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, foi o estopim para aquela que seria considerada a maior manifestação organizada por estudantes: a Passeata dos 100 mil. Fato que contou  com a participação de artistas, intelectuais, políticos e dos moradores da cidade do Rio de Janeiro. No final do evento foram escolhidos representantes para uma audiência com o Presidente do Brasil, Costa e Silva. Durante esse encontro, o presidente sentiu-se ofendido pels estudantes e começou na sua cabeça a idéia em decretar uma norma que iria mudar o rumo da história do Brasil: o AI-5.

O discurso do deputado Márcio Moreira Alves, na Câmara dos Deputados, e o XXX Congresso da UNE, realizado em Ibiúma, cidade paulista, ajudaram aos militares a exigir uma posição do presidente da República com relação às manifestações contra o seu governo e contra as Forças Armadas. Em 13 de outubro de 1968, o presidente decreta aquele que seria o documento a vigorar em um dos períodos mais negros da nossa história: o Ato Inconstitucional N° 5. A partir desse dia, artistas foram censurados,  não existiu mais a liberdade de expressão, políticos foram cassados e exilados, sindicatos fechados, grêmios  estudantils foram proibidos de serem fundados, estudantes e qualquer partido que não fossem em favor do governo foram considerados comunistas. Esse período duraria 10 anos.

O leitor irá se deliciar quanto o autor narra o Festival Internacional da canção, no Rio de Janeiro, onde o público torcia para que a música vencedora fosse a do compositor Geraldo Vandré, ” Para não dizer que não falei das flores”, e não a composição feita por dois gênios da MPB, Chico Buarque e Tom Jobim, com a canção “Sabiá”, interpretada pelo grupo Quarteto em Cy. Quando o resultado foi anunciado ouviu-se uma grande vaia no Ginásio do Maracanãzinho.

“1968, O ano que não terminou” é um livro para ser lido por pessoas que querem conhecer as barbaridades cometidas pela repressão nos chamados anos de chumbo. São 305 páginas que levam o leitor a viajar no tempo.Caso você tenha menos de 20 anos, é uma boa oportunidade para conhecer a nossa história política.Se tiver mais de 30 anos, é uma boa opção para relembrar fatos históricos. Vale lembrar que vários dos personagens hoje se destacam na política brasileira, como por exeplo: Franklin Martins, Fernando Gabeira, José Dirceu, Vladimir Palmeira, etc,

No mês de outubro ocorreram em Brasília, três fatos que chocaram a socieade. O primeiro aconteceu em uma escola na Ceilândia, cidade que fica a 30 km do Plano Piloto. Uma professora segundo informações teria segurado uma criança de 5 anos para que os outros alunos a agredissem. De acordo com o depoimento dela, tal fato não aconteceu. Ela teria apenas tentado separar uma briga que o aluno tinha iniciado contra outras sete crianças.

O segundo fato foi novamente um caso de agressão contra uma criança. Imagens exibidas pela polícia mostram uma babá agredindo um menino. A cena é chocante. Ela mostra a babá que devia cuidar e proteger a criança, na ausência dos pais, dando um chute na cabeça e um tapa na cara do menino. Enfim, fazendo tudo ao contrário da função pela qual recebe o seu salário.

E, finalmente, o terceiro acontecimento: um crime contra uma adolescente de 14 anos, ocorrido em Planaltina. Ela se preparava para ir à escola aonde estudava, mas, infelizmente, não conseguiu chegar ao seu destino. foi baleada com dois tiros na cabeça e morreu na hora.

O que deixou toda a sociedade estarrecida e indignada é como os valores humanos estão sendo esquecidos. Os pais ficam sem segurança em contratar alguém para cuidar dos filhos e mais preocupados para saber se ela é de segurança. Ficam imaginando se as professoras usarão o mesmo método usado pela professora da Ceilândia. E se estarão protegidas quando  forem para à escola.

Todo pai e cidadão esperam que essa violência contra seus filhos um dia terminem e agradeceram a chegada de um futuro e tranquilo para eles.

Os pais sonham com essa imagem
Os pais sonham com essa imagem

É impressionante como as pessoas conseguem por conta da mídia, mobilizar e prender a atenção das pessoas. Orson Welles e Stephen Glass conseguiram isso de formas diferentes.

Welles tinha 23 anos e trabalhava na CBS, rádio americana da cidade de Nova Jersey. Em 1938 , resolveu durante a transmissão do seu programa reproduzir uma novela do escritor inglês H.G. Wells que narrava uma invasão de marcianos ao nosso planeta. Welles era locutor e líder de um grupo de teatro, chamado Mercury no Ar. Os atores ajudaram na transmissão.

A programação da rádio foi interrompida para divulgar a queda de um meteoro no Planeta Terra. Depois, com a voz de um repórter – Carl Philips – informa que não era um meteoro, mas um imenso cilindro de onde saíram os extraterrestres.

Para ajudar o suposto repórter, um cientista foi chamado para passar as informações sobre as características dos marcianos.

Essa travessura de Welles conseguiu, segundo relato da época, atingir 6 milhoes de pessoas. Mas “apenas” 1,2 milhões acreditaram na história e foi instaurado um caos total na cidade.

A transmissão durou uma hora e Welles e Welles disse que tudo se tratava de uma ficção. Ele depois desse acontecimento virou celebridade no Estados Unidos e um diretor de cinema conhecido mundialmente.

Welles durante transmissão no estúdio da Rádio CBS - 1938

Welles durante transmissão no estúdio da Rádio CBS - 1938

Stephen Glass, o outro gênio, usou a sua inteligência para manipular, enganar as pessoas. Ele era considerado um menino prodígio da  imprensa americana. Escrevia para a The New Repulic, única revista lida no Air Force 1, o avião que serve a Presidência Americana.

Uma pessoa inteligente, carismática e divertida, mas ao mesmo temp manipuladora, egoísta e com problemas emocionais.

Seu talento foi colocado em dúvida e descberto que se tratava de uma farsa ao escrever artigos onde alguns fatos ficaram sem resposta.

Em seu artigo sobre uma convenção de jovens do Partido Republicano americano, ele escreveu que houve consumo de bebidas e drogas. O dirigente do partido não gostou e fez uma ligação telefônica ao editor da revista, Michael Kelly, informando  que o local da convenção, um hotel,  no quarto  não havia frigobar. Michael chamou Glass que confirmou a versão do dirigente, mas disse os jovens alugaram o eletrodoméstico. O editor ligou para a recepção do hotel e foi informado que os hóspedes podem alugar um  frigobar. Kelly ao receber a confirmação deu o caso por encerrado e acreditou na versão do seu jornalista.

Sua carreira de jornalista podia ter sido brilhante.

Sua carreira de jornalista podia ter sido brilhante.

Stephen escreveu outro artigo relatando uma negociação entre um “hacker” e um empresa que teve o site invadido por ele.  E ao invés de processá-lo, o  contratou para ser consultor de segurança contra invasores de sites.

Ao ler o artigo, um editor de um jornal digital, questionou seu melhor jornalista, Adam Penemberg, porque ele não fez a matéria. Adam checou as fontes, viu que eram falsas e descobriu que Glass tinha mentido.

O editor da The New Repulic, Chuck Lane, cobrou explicações ao seu jornalista.  Ao verificar que as fontes eram realmente falsas, decidiu demitir Stephen. Chuck também analisou todos os artigos escritos por Glass e descobriu que dos 41 textos escritos por ele, 21 foram forjados.

A demissão do jornalista foi parar no tribunal, na audiência Glass confirmou seu erro e teve sua carreira destruída.

Sthephen Glass foi o exemplo de como não se deve fazer um jornalismo sério e ético.

O jornalista Lucas Mendes recebeu no programa Millennium exibido pela Globonews o jornalista e sociólogo americano Todd Gitlin. Gitlin foi presidente do SDS,  um dos grupos mais influentes e radicais na década de 60. Hoje, ele é um respeitado professor professor da Universidade da Columbia, em Nova York. Eles falaram sobre os acontecimentos de 1968, uma época que modificou o mundo.

Ao ser perguntado sobre  a sua visão  em relação aos fatos acontecidos em 1968,  Gitlin disse que aquele ano foi o mais alto da história dos Estados Unidos. E a Guerra do Vietnã foi um dos motivos que explicam porque também o ano foi conflituoso.

Para ele, não houve conflitos de gerações. Citou como exemplo o confronto ocorrido durante a convenção do Partido Democrata. Ali havia pessoas das mesmas gerações lutando entre si.

Lucas Mendes disse ao professor que estava em Chicaco durante o confronto e não viu o mesmo encanjamento político com os movimentos que estavam ocorrendo no Brasil. As pessoas foram com a intenção  em provocar a desordem.

Na opinião do professor, não houve um vencedor em 58 e sim vários, mas em momentos diferentes. Demostrou sua opinião com o exemplo da disputa entre Nixon e os conservadores, Nixon foi o vencedor no ínicio. Depois o Partido Republicano soube atrair mais pesosas que eram contra a Guerra do Vietnã. No longo prazo, as posições liberais saíram vencedoras porque começaram a mostrar as pessoas que os gays, os negros, as mulheres  existiam perante a sociedade americana.

No final da entrevista Gitlin concordou com o repórter que a invasão à Universidade Columbia ajudou aos intelectuais a simpatizarem com o estado conservador, pois era tempo em dar um basta à baderna que estava acontecendo nos Estados Unidos.

Sobre a semelhança entre 1968 e 2008, disse que não havia  nenhuma. Em 68, as pessoas eram mais solidárias. Em 2008,  o individualismo americano triunfou.

Na política, disse que Barack Obama não pode ser comparado a John Kennedy, porque Kennedy era mais preparado e experiente que o presidente eleito.

Kennedy era mais preparado que Obama

Kennedy era mais preparado que Obama

O que está havendo com o futebol brasileiro? Um futebol que sempre foi elogiado pelo talento e criatividade hoje não consegue jogar bem duas vezes seguidas. A maioria dos jogadores jogam e são elogiados no futebol exterior, mas quando jogam no Brasil, salvo a falta de entrosamento, não conseguem dar sequência as jogadas, fazer tabelas, lançamentos e com isso afastam os torcedores dos estádios em que jogam. No domingo, 12 de outubro de 2008, a seleção fez uma partida que encheu os olhos dos amantes do futebol, apesar do adversário ser fraco e na quarta, dia 15 de outubro de 2008, enfrentado um adversário teoricamente fraco não conseguiu vencer e com isso os jogadores e o técnico ouviram uma sonora vaia. A pergunta é quando a seleção irá apresentar uma regularidade e um futebol digno dos cinco títulos conquistados?


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  • pree: opa, mais um jornalista fazendo jornalismo no iesb. com problemas de html. rs. =*
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